Site pessoal de (Ana) Lou de Olivier 
   Casa      Parque Nabuco

Sempre que tomo contato com algum problema ou situação difícil, antes de opinar ou agir, eu verifico todos os ângulos, analiso os detalhes e, na sequência, proponho ou faço alguma ação. Penso que esta é a forma correta e justa de se analisar e agir em qualquer situação.


Tão logo soube da situação do Parque do Nabuco no Jardim Itacolomi, zona sul de São Paulo – SP (Brasil), eu contatei todos os envolvidos, os responsáveis e, depois de conversar com todos, estou propondo soluções.


Verdadeira história do Parque do Nabuco:


Tenho um carinho especial por este parque porque foi praticamente construído pelos meus pais. Eles chegaram na região em 1951, quando era apenas um pântano. O único sítio habitável nesta região era justamente o local onde hoje está o parque. Pertencia a Fernando Nabuco de Abreu, porém este não morava no local que estava abandonado quando meus pais chegaram. Meu pai verificou que o local, apesar de pantanoso, era muito amplo e a casa era luxuosa. E tinha energia elétrica. Era o único local com energia elétrica em toda a região.


Informou-se sobre o proprietário e o contatou, oferecendo-se para cuidar do local em troca de um salário e o “empréstimo” de energia elétrica. Imediatamente foi contratado por Nabuco, tornando-se seu procurador, além de caseiro temporário, até terminar a construção de seu “quarto e cozinha” no terreno recém comprado. Ao terminar a construção, meus pais mudaram-se para a casa própria, mas continuaram cuidando da propriedade do Nabuco. Inclusive, no local, havia um jacaré que costumava atacar os poucos transeuntes e, sempre que alguém precisava passar pelo pântano, solicitava a presença do meu pai que era o único que tinha coragem de “segurar” o jacaré até que as pessoas passassem em segurança. Certo dia, na ausência de meu pai, o jacaré atacou uma pessoa, ferindo-a muito. Alguém chamou a polícia e, depois disso, não se soube o que fizeram com o animal...


Meus pais continuaram investindo na região, fizeram o primeiro posto de saúde, minha mãe enfermeira aplicava injeções e meu pai que estudou medicina mas não exercia profissionalmente, atendia as pessoas, tudo gratuitamente. Na sequência, meu pai abriu um empório que abastecia toda a região e começou o que hoje se chama de “gato”. Ele cedia energia da sua casa (que vinha da mansão do Nabuco, sim era uma verdadeira mansão com torneiras de ouro e riquezas que destoavam da pobreza da região) para as poucas residências do local. A Usina Piratininga hoje existe por causa desta “iniciativa” de meu pai. Para juntar mais verba, minha mãe foi trabalhar numa fábrica de chocolates e, na sequência, numa fábrica de vidros, ambas do outro lado da cidade e meu pai se dividia entre o empório e os cuidados com o que hoje é o parque do Nabuco.


Em pouco tempo conseguiram verba para comprar diversos terrenos na região e construíram diversas casas simples, quarto cozinha e banheiro que passaram a alugar. Meu pai, sempre generoso, reservou vinte dessas casas para ceder a quem chegava de diversas regiões do Brasil e não tinha como pagar aluguel. A estas famílias, meu pai cedia a casa, água, luz, mantimentos, pagava escola e material escolar para as crianças, fornecia medicamentos, tratamentos médicos e dentários, ou seja, sustentava estas famílias. Quando uma família se firmava e não precisava mais dos cuidados dele, mudava-se e, no mesmo, dia, já havia outra família ocupando o local. Meu pai também recolhia animais de rua e chegou a ter quatrocentos cachorros e inúmeros gatos que ele tirou das ruas. Isso foi feito até 1993 quando ele faleceu...


Uma observação importante: Em nenhum momento utilizamos nada público. Todos os animais acolhidos ficavam em nossa casa, ou melhor, ao redor dela. Morávamos numa casa de três andares, construída de forma a aproveitar o terreno em declive, isso distribuía dois andares quase subterrâneos e apenas o andar da casa era visível da rua principal. De outros ângulos, a mesma casa parecia um prédio. Dos dois lados, enormes áreas verdes com muitas plantas e árvores frutíferas. De um lado, além de brinquedos rústicos, meu pai abrigava os cães e gatos que recolhia da rua. E do outro lado, minha mãe criava galinhas e patas como animais de estimação. As patas tinham uma banheira para nadar, as galinhas ciscavam pelo local todo e elas morriam de velhice, não eram abatidas. Elas produziam muitos ovos que nós comíamos em parte e minha mãe também doava-os para a vizinhança. Portanto, o que relato neste trecho NÃO ocorreu no parque e sim em nossa residência. 


Na década de 70, meu pai conseguiu asfaltar toda a região, cerca de uns dez quilômetros (ou mais impossível calcular com exatidão), bancando sozinho os gastos. Na década de 80 inauguramos o Teatro Escola em que eu lecionava gratuitamente teatro, dança e técnicas de desfile de modas para as adolescentes da região e de outras regiões que vinham especialmente para os cursos. Em questão de um mês já estavam todos se apresentando e ganhando seus pequenos cachês que eu pagava em pizzas. Eles preferiam receber em pizzas porque a maioria era muito pobre e, enfim, era uma boa alimentação que tinham no teatro. Com o tempo, adolescentes de classe média e alta vieram para os cursos também, mas eles continuaram gratuitos enquanto a produtora Manhattan Masana existiu. Em paralelo, meu irmão teve o Manhattan Masana Design com alunos do mundo todo aprendendo Design automobilístico com ele. Também na década de 80 ajudamos a inaugurar o Centro Cultural do Jabaquara. E foi também na década de 80, exatamente ano 81, que o parque do Nabuco foi entregue ao público. Toda esta atuação existiu sem vínculo político nem religioso e com recursos próprios até 1993 quando meu pai faleceu, em seguida minha mãe também faleceu e nossos advogados não nos orientaram bem. Em questão de meses, com apenas duas assinaturas, perdemos todo o patrimônio deixado por eles e tivemos que interromper toda esta ação física na região. Mas eu continuei na medida do possível agora via Internet. 


A partir de 1996, desenvolvi diversas ações socioambientais, educacionais e atualmente também animais que estão descritas no meu portal e em diversos subsites... Em 2000 inaugurei também na região fundada por meus pais, o Espaço Cultural Dra Lou de Olivier que, além de muitos cursos e serviços oferecidos à população, manteve também um museu do bairro contando toda a história desde o início com fotos e documentos que possuíamos. Porém, diante do descaso, total ausência de incentivo e também por eu ter passado por uma cirurgia delicada em 2002, na impossibilidade dos voluntários tocarem sozinhos, o ECDLO foi fechado e todo o material foi descartado em 2005 quando tive que sair numa longa viagem que durou dois anos... Tudo isso está documentado em meu portal e, em especial, neste subsite http://analou.loudeolivier.com/


Como era o parque do Nabuco: Ele já foi descrito como “um oásis num mundo cimentado”. O parque com 31 mil m2, foi criado com a intenção de preservar a vegetação existente (que por sinal, foram meus pais que plantaram e preservaram o que já existia). E diversas publicações citam que esta região foi “invadida por loteamentos clandestinos”. De fato, algumas pessoas invadiram a área, mas meus pais sempre trabalharam muito e pagaram cada centavo do que COMPRARAM. Não tenho as escrituras originais, mas tenho algumas cópias e assim que tiver um tempo vou escanear e publicar para frisar que a região não tem só invasores, como citam de forma sensacionalista, tem gente de bem que lutou e luta muito para preservar cada centímetro desta área,



A situação do Nabuco hoje:


Por tudo que descrevi, fiquei extremamente triste ao saber da situação do Parque Nabuco hoje. Muito lixo, aspecto descuidado e nada menos do que 66 (sessenta e seis) gatos abandonados no local. Há três protetores alimentando os gatos o que por um lado ajuda os pobres gatinhos por outro acaba incentivando que mais pessoas se “livrem” de seus animais no local, já que sabem que alguém vai cuidar. E, como por enquanto, não há câmeras, fica meio difícil saber quem descartou o animal no local. Contatei os diversos setores do meio ambiente e do verde e notei que estão bastante preocupados com a situação e tentando encontrar meios para solucionar a questão. Mas o pior, não é só neste parque. São diversos parques da cidade que hoje estão saturados de animais abandonados. Sugeri, de imediato que se instalem câmeras nos parques e cartazes especificando que tudo está sendo filmado e citando as Leis que punem quem abandona animais. Esta seria uma medida que pode diminuir bastante o abandono. Porém fui informada que as placas já foram colocadas várias vezes e foram arrancadas, ou seja, não surtiu o efeito desejado. 


Em paralelo propus fazermos uma Feira de Adoção na região, já que no parque, não é possível. E friso que a ideia de coloca-los para adoção já vem sendo discutida há meses, antes mesmo de chegar esta informação para mim. É preciso lembrar que gatos e cães são animais domésticos, necessitam de aconchego, cuidados veterinários, carinho, além de comida e água. E o melhor  lugar para eles, é de fato, em meio a uma família. É preciso pensar no que é melhor para os gatos e para todos os animais que habitam o local. E que seja bom para a população que o frequenta, também, ou seja, é um assunto delicado que necessita muita reflexão para uma decisão acertada. 


E propus também três ações de conscientização da população que são: Apresentação do vampirinho vegano, palestra sobre veganismo fundamentada em Medicina e Nutrição e outra palestra sobre adoção consciente de animais. Talvez eu ministre uma aula gratuita de biodança para incentivar o comparecimento do público, já que dificilmente se interessarão apenas por palestras. Enfim, estou fazendo o máximo que posso. Ofereci-me, inclusive para apresentar-me em outros parques que também tenham necessidade destas ações.


O importante é cada um fazer a sua parte. Invés de criticar ou reclamar, se cada um fizer um pouco, todos poderão se beneficiar. E aproveito para lembrar que animais domésticos precisam de cuidados, carinho, medicamentos, vacinas, além de comida e água. Por isso, a questão dos gatos deve ser muito bem resolvida para o bem-estar deles e de todos os outros animais habitantes dos parques e do público que os frequenta. 


Fotos da inauguração do Espaço Cultural Dra Lou de Olivier em 2000

Ao fundo, é possível ver o flanelógrafo com diversas fotos do início de povoamento na região. 

 


 
 Lou de Olivier, equipe voluntária e repórter do Jornal Intersul          Lou de Olivier homenageia Aparecida Baxter, representada por sua                                                                                                                 filha. Ao fundo parte da equipe voluntária e convidados.