Site pessoal de (Ana) Lou de Olivier 
   Casa      pai
 
 Uma vida dedicada à caridade, tendo praticado grandes doações por onde passou.

Por duas vezes doou todo o seu patrimônio aos pobres (um em Minas Gerais e outro em Santos), seguindo somente com duas malas e a certeza de estar servindo de coração aberto ao Criador...


Foi comandante da Guardamoria de Santos, onde conheceu a esposa Lourdes (Bertioga) e casou-se, tendo em seguida, se acidentado no cumprimento da função de comandante, a partir dai, trocando a cidade de Santos por São Paulo (ocasião em que doou todos os bens aos pobres e rumou a SP somente com suas duas malas). Ao instalar-se na região que fundou em São Paulo, chegou até a puxar carroça de ferro-velho e materiais pois as ruas esburacadas e cheias de mato impediam carros e cavalos de transitar.


Esta região que ele fundou na Zona Sul da Cidade de São Paulo, Brasil, (especificamente na área que abrange a Vila Marari, o Jardim Jabaquara e Jardim Itacolomi, localizada entre o Aeroporto de Congonhas, Jabaquara e o Autódromo de Interlagos), é hoje uma prospera região graças ao seu pioneirismo, pois foi ele quem implantou sistema de água e esgoto, asfaltamento e muitas melhorias à esta região.


Dez anos depois do casamento nasceu Ana (hoje conhecida por Dra. Lou). Nardino que, antes já vivia para ajudar a todos, depois do nascimento da filha, passou a dar grandes banquetes onde cedia comida e bebidas a toda a população da região, também construiu com recursos próprios 80 (oitenta) casas, alugando 60 (sessenta) delas e reservando 20 (vinte) para ceder a famílias que não podia pagar aluguel. Sete anos depois, o casal teve mais um filho, Erasmo...


Sem alarde, sem patrocínio, Nardino e sua família deram casa e comida para inúmeras famílias que chegavam a São Paulo para “tentar a sorte”, fugindo da seca do Nordeste e da falta de empregos em suas cidades natais. Além de não cobrar aluguel, Nardino cedia água, luz, medicamentos, alimentos e escola aos seus inquilinos. O dinheiro, vinha do Empório Nardino, o pioneiro na região, sendo que, além de perdoar as dívidas de quem não pudesse pagar pela comida, Nardino ainda cedia eletricidade e água aos vizinhos. Também acolheu e alimentou dezenas de animais de rua e foi fundador do primeiro posto de saúde da região que atendia gratuitamente aos moradores. Tudo isso sem nenhum vinculo político nem sistema religioso, e sempre utilizando-se de recursos próprios e agindo puramente por altruísmo e por ser um dedicado servo do Criador.


Nardino não exigia contratos nem retribuição por sua caridade. O simples ato de ajudar aos semelhantes já lhe satisfazia. Estudou Medicina e Direito, mas não exerceu profissionalmente. Falava oito idiomas, além do Português (Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Japonês, Árabe, Latim e Hebraico) que aprendeu sozinho. Nunca se candidatou a cargos públicos e morreu simples, assim como nasceu e viveu.


Estes são apenas alguns dos atributos e dos grandes feitos deste homem simples e extremamente sensível que, por muitas vezes, saiu a caminhar pela cidade em dias de chuva, usando um conjunto de capa, boina e guarda-chuvas (muito usado pelos homens elegantes da época) e voltou encharcado e sem seu conjunto que havia doado a algum a algum mendigo...


No dia 08 de junho de 1993, Nardino almoçou no seu restaurante favorito, voltou para sua casa, deitou-se, dormiu e não mais acordou...

Apesar da intenção da família em sepultá-lo sem alarde, respeitando seu direito à privacidade, a multidão que compareceu ao cemitério superlotou o local ao ponto de impedir a passagem do carro fúnebre que parou no portão, seguindo o cortejo a pé. Na multidão, alguns perguntavam para quem ficariam as casas que ele cedia (emprestava) aos pobres e a fortuna por ele deixada, porém a grande maioria chorava e lamentava a perda do grande provedor do bairro e defensor dos mais humildes. Este impasse foi decidido por advogados que cuidaram do inventário e por construtoras que, em apenas alguns meses apos seu falecimento, dizimaram todo o patrimônio por ele deixado, privando os verdadeiros herdeiros o direito de posse.


Em 1995, a filha Ana, após perder também a mãe, decidiu seguir os passos do pai, entregando-se ao serviço do Criador. Foi quando ela criou o pseudônimo Lou de Olivier, passou a publicar artigos e livros terapêuticos, peças teatrais e, acima de tudo, fazer filantropia (que ja fazia antes mas agora passou a fazer em período integral) e lutar pela Paz no mundo como uma forma de resgatar a grande obra iniciada por seu pai.


Por todos os feitos deste verdadeiro homem de DEUS, sua obra de benemerência foi homenageado pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Esta homenagem foi proposta pelo Vereador Antônio Goulart e assinada por Marta Suplicy, como comprova texto ao lado.


A seguir, leia a crônica que fiz em homenagem ao meu pai:


Pai Herói

Pai...


Hoje, vendo um comercial de refrigerante na Internet, lembrei-me de sua participação como pai e como ser humano em tantas ocasiões:

Nas inúmeras festas, verdadeiros banquetes que fazia, não só proporcionava momentos inesquecíveis aos convidados mas também oferecia comes e bebes aos mais pobres. Lembro-me das filas que se formavam em nosso portão ao final de cada festa. Alguns vindos de muito longe, trazidos por parentes e amigos que já sabiam da farta distribuição em nossas festas. E que linda imagem eu guardei de você dançando tango e bolero, sempre vestido impecavelmente como um astro do cinema. Era a melhor cena da festa...


Durante toda a minha infância e adolescência, você me acordou em todas as manhãs levando café na cama e um presente a cada dia, nem que fosse apenas uma caixa de bombons e ensinou-me a festejar cada dia como se fosse um dia especial e nossa brincadeira de “cabeleleira” quando, quase todos os dias, eu pedia para te pentear e maquiar e fizemos tantas vezes esta brincadeira até o dia em que você foi até a sala para atender aos seus amigos coronéis e esqueceu-se de tirar a maquiagem, os bobbies e os brincos que te coloquei e ainda esbravejou com eles:


- O que foi? Afinal de contas, vocês não brincam com seus filhos? É só uma brincadeira, ora bolas!


E, quando eu fiz 10 anos e você foi me acompanhar na compra de meu primeiro sutiã, tranquilizando minha mãe, dizendo que não havia segredo, bastaria entrar na loja e fazer o pedido e depois levou uma meia hora para explicar à vendedora o que eu precisava... 


O orgulho com que comprava presentes iguais para minha mãe e eu e nos apresentava a todos como suas “duas namoradas” e, quando meu irmão nasceu e você passou a comprar carrinhos e bonecas iguais para nós, “para não nos sentirmos em competição” seus amigos conservadores, horrorizados, comentaram que seríamos homossexuais e você, irritado, respondeu:


- Não importa quem ou o quê meus filhos sejam, sempre serão meus filhos! E homossexualismo não tem nada a ver com carrinhos ou bonecas, seus ignorantes!


Mas você não foi somente um grande pai, você foi um grande herói, salvou muitas vidas, inclusive a minha.


Quando o avião em que viajávamos fez um pouso forçado, você não pensou em você mesmo, começou a resgatar as vitimas uma a uma em meio ao combustível que se espalhava rapidamente e só saiu ao resgatar a última pessoa... Eu era somente um bebê, porém cresci ouvindo minha mãe exibir as cicatrizes de queimadura nas pernas, dizendo que esteve ao seu lado (e comigo no colo) durante todo o resgate até mesmo quando o avião explodiu logo após vocês se distanciarem... Era a forma dela dizer que também era uma heroína...


Depois de alguns anos salvando muitas pessoas em inúmeras ocorrências, novamente sofremos um acidente aéreo, desta vez caímos no mar. Eu tinha cinco anos mas guardei bem a sua imagem nadando por um tempo interminável me carregando nas costas. E não esqueço que, ao chegarmos em terra firme, a primeira pergunta que te fiz foi:


- Pai, se tudo era água e, depois ondas, como você sabia para que lado ficava a praia?” E você, ofegante e meio transtornado, só conseguia repetir - Meu Deus, o piloto ficou”...


Segui a vida sofrendo acidentes, alguns provocados pelo meu descuido e ingenuidade outros pela “sina de um destino machucado” e, quando entrei em coma por nove dias, só você ficou sentado dia e noite ao lado da minha cama, meditando e me aplicando aquela imposição de mãos que você fazia e funcionava com todo mundo, só comigo e com meu irmão parecia não funcionar. E, ironicamente, foi no nono dia, quando você, exausto, desistiu e foi dormir que eu acordei achando que tinha estado sozinha o tempo todo. Custei a acreditar quando me contaram que você esteve comigo pelos nove dias sem sequer cochilar...


Como acontece com a maioria dos casamentos, um dia o amor acabou entre você e minha mãe, as discussões que, antes eram tempero deste amor, passaram a ser o único elo. Em algum momento, nós, os filhos, entramos neste clima de discórdia. Passei a ver muito mais seus defeitos que suas qualidades. O que, antes me parecia proteção, passou a ser arrogância e prisão, o que me parecia liberalidade sua, passou a ser descaso. E você já não parecia mais tão amoroso quanto antes. E foi assim, de discórdia em discórdia que acabamos cada um morando numa casa, cada um carregando seus traumas, mágoas e lembranças próprias. E, mesmo morando em casas separadas, mesmo estando em fase terminal de câncer, você ainda me ensinou aqueles passos de tango que eu não esquecerei nunca.


Hoje, relembrando todos os seus atos de bravura, seu altruísmo e cuidados com os mais necessitados e toda a sua dedicação como pai e marido, sei que é impossível citar todas as lindas cenas que nos proporcionou em família, todos os salvamentos que fez, quantas vidas devolveu às pessoas, muitas que você sequer conhecia e quanto doou em todos os sentidos a todos os que precisaram de você. E, na minha trajetória, nunca conheci um homem como você. Ou eu não procurei bem ou, talvez, homens como você não passem duas vezes pela vida da mesma pessoa. E admito que, por mais erros que tenha cometido, seus acertos foram imensamente maiores e mais importantes.


Em breve, as pessoas comemorarão novamente o dia dos pais e minha homenagem a você será este texto, simples, sem grandes argumentos porém com carinho e reconhecimento pelo grande homem que você foi.

E termino dizendo que, de todos os ensinamentos (e exemplos) que nos deixou o maior de todos foi que não é preciso corromper-se para alcançar o poder. Onde houver um ser honesto e justo falando, verdadeiramente, em favor da humanidade como um todo, haverá um grupo de honestos e justos para aplaudi-lo e impulsioná-lo ao verdadeiro poder!


Agradeço por ser meu pai. Agradeço por tudo o que me ensinou e me proporcionou viver pois, sem você, eu hoje não poderia escrever este texto... 


By Lou de Olivier (Biografia Autorizada)

 DECRETO Nº 40.679, 25 DE MAIO DE 2001

Dispõe sobre denominação de logradouro público.

MARTA SUPLICY, Prefeita do Município de São Paulo, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, e nos termos do inciso XI do artigo 70 da Lei Orgânica do Município de São Paulo, e à vista do constante no processo nº 2000-0.232.217-6,


DECRETA:

Art. 1º - O logradouro abaixo relacionado (Setor 091 - Quadra 596 - AR/JA, situado no Distrito do Jabaquara, fica assim denominado:

1 - PRAÇA NARDINO FRANCISCO DE OLIVEIRA - Código CADLOG 48.156-4, o Espaço Livre sem denominação, delimitado pela Avenida Durval Pinto Ferreira e pela Rua Frederico Albuquerque.

Art. 2º - As despesas com a execução do presente decreto correrão por conta das dotações orçamentárias próprias.

Art. 3º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.


PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 25 de maio de 2001, 448º da fundação de São Paulo.

MARTA SUPLICY, PREFEITA

ANNA EMILIA CORDELLI ALVES, Secretária dos Negócios Jurídicos

FERNANDO HADDAD, Respondendo pelo Cargo de Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico

LUIZ PAULO TEIXEIRA FERREIRA, Secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 25 de maio de 2001.

RUI GOETHE DA COSTA FALCÃO, Secretário do Governo Municipal

?Confira esta publicação no link:http://camaramunicipalsp.qaplaweb.com.br/iah/fulltext/decretos/D40679.pdf


Nome: PRAÇA NARDINO FRANCISCO DE OLIVEIRA


Distrito: JABAQUARA


Histórico: Nardino Francisco de Oliveira nasceu em Guaranesia (MG) no ano de 1919, filho de José Francisco de Oliveira e Ana Quintina de Oliveira. Foi casado com Lourdes Reçuto de Oliveira e teve os filhos Ana e Erasmo. Foi comandante da Guardamoria do Porto de Santos, tendo acidentado-se no cumprimento do dever. Em 1951 o casal mudou-se para a Rua Raquel onde, mais tarde, Nardino abriu um deposito de ferro velho e o primeiro empório da região. Aos fregueses do empório, Nardino franqueava o acesso à energia elétrica e à água de poço, além de promover a caridade, uma vez que a esposa de Nardino franqueou sua residencia para montar um pronto-socorro. 


Lourdes, enfermeira, aplicava gratuitamente injeções e cedia medicamentos ao povo. Depois de muitos anos, o casal conseguiu adquirir vários imóveis na Rua Raquel mas, não se esqueceram dos mais necessitados. Nardino ajudava os inquilinos que não podiam pagar os alugueis e chegou inclusive a ter um local onde abrigava os menos afortunados e desempregados. Este local ficou conhecido como 'Vila do Nardino' e possuía por volta de vinte casas. Além de ceder as casas, Nardino pagava os gastos com luz, água fornecia remédios, mantimentos e até utensílios domésticos.


Faleceu em São Paulo aos 08.06.1993 Este nome foi sugerido pelo Vereador Antonio Goulart.


Retirado do site oficial da Prefeitura São Paulo:http://www.dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/ListaLogradouro.aspx (Caso não abra a pagina, digite Nardino Francisco de Oliveira do o Dicionário de Ruas do referido site)